terça-feira, 19 de abril de 2011

UMA ÚNICA CRISE escrito por Bruno Ferreira

Estamos em crise? Crise financeira e econômica? Esses questionamentos nem se comparam a real crise que nos abate. A crise de valores existente em nossa sociedade. Olhamos para o lado e observamos que os bons, ou seja, as pessoas que se submetem a ética que é proposta nessa sociedade não chegam a lugar nenhum. Toda a corrupção existente não causa creio que nenhum espanto e surgi aquela seguinte frase: eles fazem eu também posso fazer. E tudo se transforma num relativismo. Aumenta-se cada dia o número de pessoas que passam fome que morrem de fome, que estão jogadas nas ruas como trapos e com trapos e também não se causa espanto. O valor não é mais prioridade o ser não é mais prioridade o ter é que é prioridade nos dias atuais.
Hoje a sociedade se engana achando que vivemos no auge da civilização por causa da tecnologia e se impressionam com seus feitos, mas vivemos sim uma crise. Crise esta que terá proporções tremendas.
Nossa sociedade possui uma visão reducionista da realidade, e hoje podemos ver qual o destino que aguarda a espécie humana e a biosfera. Destruir, destruir e se destruir. Esse é nosso fim.
A sociedade está cega, não vê a que ponto chegou, não valorizamos o ser humano, nem a dimensão espiritual implicando assim na desvalorização de nosso bem maior a Terra.
 Considerando a dimensão espiritual e propondo a idéia de que ela nos liga a todas as coisas e é fonte que promana em todo o ser onde sua expressão maior é Deus. Ela (espiritualidade) é a possibilidade de uma mudança em toda a estrutura da relação entre nós e o outro, nós e todas as coisas, nós e o planeta Terra, e não esquecendo entre nós e Deus, tendo Deus como uma busca constante da perfeição de nosso ser, busca esta que não alcançamos, pois está sempre um passo a frente.

“Espiritualidade significa vivenciar esta situação na medida em que é permanentemente buscada, mesmo que não se deixe apreender e se desloque sempre um passo a frente. O drama do ser humano atual é ter perdido a espiritualidade e sua capacidade de viver um sentimento de conexão. O que se opõe à religião ou à espiritualidade não é a irreligião ou o ateísmo, mas a incapacidade de ligar-se e religar-se com todas as coisas. Hoje as pessoas estão desconectadas da Terra, da anima (da dimensão do sentimento profundo) e por isso sem espiritualidade. (http://www.leonardoboff.com/site/lboff.htm )

                A ditadura do ter, a ditadura da magreza, ditadura da beleza e principalmente a ditadura da razão que proporcionou toda uma estrutura de pensamento e retirou a percepção humana de toda completude das coisas e de sua ligação com a Terra. A racionalidade supervalorizada criou certo modo de pensar, de viver, de ensinar, de fazer ciência, e essa cultura dita moderna entrou em crise que é expressa nas atuais crises que são expressões de uma única crise.

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